quarta-feira, 2 de maio de 2012

A VEZ DOS "EMPURRADOS"


Tomado pelas palavras queria poder aqui discorrer limpidamente, sem arrodeio ou metáfora, mas não quero dar um tom de denúncia nisso que é antes de qualquer coisa uma autorreflexão. Tentarei demonstrar, sem grandes pretensões, como os melhores não estão na vez. A vez é dos “empurrados” e não quero aqui conceber isso como um fenômeno novo, o leitor menos alheado vai perceber que tão somente delimito minhas impressões mais para o presente.
Stephen Kanitz já asseverou que a “insegurança é o problema humano número um” da humanidade, mas, nestas linhas seguintes quero discorrer sobre a “solução primeira” nos dias de hoje, isso mesmo, quero refletir sobre “o fenômeno do empurrão”... Não aquele que derruba (esse sobra por aí), mas o que o ergue, o que o lança a frente dos demais. Na maioria das vezes a competência, sem o empurrão nada garante, resta conformar-se em estar junto às grossas fileiras dos que nada terão.
Um bom empurrão transforma água em vinho, sapo em príncipe e até uva em abacaxi. No campo de análise das posições que um ou outro ocupou, seria injusto desconsiderar a variável, às vezes infame, às vezes in Family, às vezes sa femme do empurrão. Como classificar esse expediente? Injusto, desleal, imoral? 
Sei que, inequivocamente, definitivamente o mundo não é mais dos espertos, muitos dessa categoria andam aos montes por aí a sombra desta outra que cresce e a cada dia ganha mais força, “os empurrados”. Acreditar na falácia de oportunidades iguais para todos é tão ingênuo quanto o Cândido do Voltaire.
Eis então uma pergunta: o que pode tornar alguém “empurrável” em potencial? Poderia tentar pensar em alguns fatores, algumas ideias (bem longe dos manuais para o sucesso financeiro como os do moço que tinha dois pais, afinal só tenho um e este é pobre), entretanto citarei aqui apenas um: o nepotismo que em suas várias facetas, é o exemplo mais comum de “empurramento” e a enésima prova de sua perenidade é a mastodôntica e crescente massa de nepotes no Brasil. E ainda há quem pontifique essa postura com “célebres” citações do tipo “Mateus, primeiro os teus”.
Para legislar não se exige conhecer leis; para fiscalizar contas não se exige notório saberes contábeis; para julgar, nos mais supremos tribunais, competência é atributo secundário; para governar não se exige honestidade e compromisso; para se chegar ao topo não é preciso escalar, pois a maioria cala. O empurrão suprime a insólita natureza do esforço, do merecimento e da sapiência. Como na vilipendiosa ação de Agátocles, que bem nos lembrou Niccolò Machiavelli, a tirania do empurrão pode até conduzir ao poder, mas não à glória.

Um comentário:

Nonato disse...

Meu grande amigo e cumpadre Waldilio, vou aqui dedicar esses minutos para comentar seus post de uma maneira bem clara e objetiva. Hoje vivemos num mundo em capitalismo triunfou apostando na diferenciação e na crença de que os melhores e mais capazes devem ser premiados por seus esforços individuais rsrss será ? ainda que, ao longo dos tempos, se tenha chegado a um consenso político de que é preciso dar igualdade de oportunidades para que as diferenças se manifestem de forma justa no decorrer da competição social e econômica. Já o socialismo tentou construir um mundo em que todos fossem iguais em tudo, da largada à chegada. Hoje, meu amigo Waldilio estamos vivendo num ESTADO em que não há meritocracia. E esse efeito antimeritocrático de Estado causa um efeito negativo, que é, desestimular o esforço individual, tende a produzir serviços públicos ineficientes...tem muita gente boa por aí que está desistimulada..rsrs

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Formado em história, mestrando em educação. Educador social (trabalho com prevenção às droga) Tenho como hobby, a dramaturgia, escrevi algumas peças teatrais e tenho um livro publicado nesta área.