segunda-feira, 28 de maio de 2012

A DESATUALIZAÇÃO DE UMA MÁXIMA OSWALDIANA


Os principais projetos dos políticos do Brasil são de ordem pessoal, ou seja, trata-se de "projetar sua vida na política". Isso é o que há de mais profícuo. Para nossos “representantes” na política, é o imprescindível do imprescindível. Em seguida vem a segunda missão: “ajeitar os seus”, como disse Mão Santa: “foi assim que ensinou Mateus!” Depois disso, aliás, muito além do depois, vêm pequenas ações de natureza assistencialista, populista e eleitoreira, pois claro, são elas que irão garantir os objetivos primeiros.  Em muitos casos nem circo há mais, somente o pão e em outros nem um nem outro. No que se refere a remunuração do funcionalismo público, por exemplo, no Brasil, não há critério (pelo menos, lógico) para se  estabelecer o que cada profissional deva receber. Em se tratando de pobre, fala-se de piso. No caso dos mais abastados, só fala em fala em teto que na prática não há. O céu é o limite. Não pode ser sério um país onde um funcionário ganhe em apenas um mês mais de meio milhão, como no deplorável caso dos desembargadores do Tribunal de Injustiça do Rio, e neste mesmo Rio a maioria dos funcionários não ganhará essa quantia nem trabalhando trinta anos. Os magistrados federais reivindicam um aumento, que pelo que tudo indica, sairá no ano que vem, em 2013, que acarretará um aumento de quase sete bilhões nas receitas públicas, por outro lado fala-se que não há dinheiro para se “tornar menos mal” a situação da maioria dos profissionais de segurança pública no País. No Amapá, um estado de arrecadação próxima do zero, paga-se aos deputados uma das maiores verbas indenizatórias do Brasil. A razão é simples: quem decide sobre o que ganha e ainda tem poder de barganha, fatura só na manha! A maioria dos políticos que vivem aumentando seus salários pensa pela seguinte ótica: “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é besta ou não entende da arte.” No Maranhão um homem que não herdou nada de sua família, encontrou na política sua fonte de riqueza para dez gerações, falo dos “Donos do Mar”... e assim vai “(...) no Mato Grosso e nas Gerais e no nordeste tudo em ‘paz’ (...) que país é esse?”. Aqui muito se propalada que há “igualdade de oportunidade”. Isso não é realidade. “Igualdade de resultado” nem se fala. Já não estamos mais no tempo de Oswald que asseverou ser o Brasil uma república federativa cheio de árvores e gente dizendo adeus... as coisas se inverteram, há menos verde e muita gente chegando, afinal se a batata está rasa, os porcos espertos se dão de bem. Noutras épocas quando a repressão vigorava, pelo menos sonhávamos junto com Chico... “Vai passar, vai passar” e agora, em pleno uma democracia supostamente estabelecida, o que dizer, senão “a coisa aqui tá (mais) preta!” Stanislaw Ponte Preta disse que “A prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento”. Indubitavelmente, nenhuma reforma neste país é mais importante que a da Moral.

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Formado em história, mestrando em educação. Educador social (trabalho com prevenção às droga) Tenho como hobby, a dramaturgia, escrevi algumas peças teatrais e tenho um livro publicado nesta área.